segunda-feira, 19 de abril de 2010

Violência

Na quinta-feira fui assaltada. Quer dizer, fui e não fui.

Estava a caminho da terapia, dentro do carro, parada no farol do acesso da 23 de maio ao Viaduto Paraíso. Eu, que nunca ando de vidro aberto, estava com a janela 1 palmo aberta. Chega um menino, devia ter uns 13, talvez 15 anos, enconsta na janela e anuncia:

- Isso é um assalto, eu só quero o celular.

Dava pra sentir o amadorismo do pivete: A minha bolsa estava alí, no banco do passageiro. Em vez de pedir a bolsa (com 2 celulares, cartão de crédito, R$ 180,00, cartões de débito, ipod, etc etc etc), ele pediu o celular. Olhei pra cara dele, como quem diz as horas, e falei: - O meu celular não está aqui. Então ele pediu pra "passar o dinheiro", disse que o companheiro dele estava alí na calçada, que estava armado e iria atirar. Olhei pra cara daquele menino, me detive alguns segundos, pensei: "Estou cansada de entregar às pessoas o que, de fato, pertence a mim". Tive um rompante de coragem, de stress, ou sei lá como se chama. Enchi a boca e falei para o trombadinha:

- Então faz o seguinte, atira. Dá um tiro na minha cabeça agora, abre a porta e pega a bolsa, porque ela está aqui do meu lado e eu não vou te dar.

O menino foi embora, eu engatei a primeira e fui embora também, trêmula de raiva mas sem um pingo de medo. Talvez não fosse o certo a fazer, talvez realmente existisse um "companheiro armado" que pudesse me dar um tiro, ou sei lá, mas ter tido esta reação de enfretá-lo me fez muito bem. No dia seguinte eu estaria prestes a enfrentar alguém que me tirou mais do que uma bolsa ou um celular... então olhar na cara do meliante e dizer "você primeiro vai ter que me matar antes de me tirar o celular" foi reconfortante, quase um treino para o que viria a seguir...

1 comentários:

Vivian Pereira disse...

Triste episódio. Apesar que não sei se fiquei mais preocupada com o quase assalto em si ou em o fato de ele ter se tornado uma parábola para algo aparentemente pior...