Ontem sem querer acabei pegando no Sony um dos últimos episódios da 7ª temporada de Desperate Housewives, minha série do coração. Além do enredo magnífico e os diálogos muito bem pensados, essa série ganhou a minha atenção pela quantidade de reflexões que ela inspira. Ontem por exemplo, uma das tramas era a seguinte:
Um casal terminava um casamento de mais de 20 anos. O marido decidira sair de casa naquela noite e o fez sem aviso, enquanto a mulher estava no banho, para evitar despedidas. Naquela mesma noite ela daria um jantar para toda a vizinhança, há muito tempo combinado, em homenagem à uma de suas melhores amigas. O marido resolve voltar para casa antes dos convidados chegarem, "vou embora mas não queria que fosse desse jeito, não seria justo com você. Imaginei as pessoas chegando para jantar, perguntando de mim e você tendo que mentir". Drama. Drama. Drama. A tensão do casal é aparente durante o jantar, ainda que os vizinhos estivessem se divertindo horrores. Ele sobe ao quarto do casal e prepara um drink. Ela sobe atrás. Quando eu pensei que ela imploraria para que ele ficasse, eis que ela diz: "O meu maior medo era que você me deixasse. A minha vida inteira as pessoas me deixaram, elas iam embora e eu tinha que segurar as pontas. Então o meu maior medo se concretizou, você me deixou. E nesse momento, sabe o que eu senti? Alivio. Eu me senti aliviada por você não estar mais aqui."
Pensei em quantas vezes já senti esse alívio diante de uma catástrofe. A expectativa, a dúvida, o medo do que possa acontecer são paralizantes. A certeza da tragédia é libertadora, é a comprovação absoluta de que nada mais pode acontecer. Pensei em todas as vezes em que fui acusada de "estar alegre" quando deveria estar triste com essa ou aquela situação. Agora eu entendo que o que eu sentia não era alegria, era alívio.
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